Minha lista de blogs

terça-feira, 16 de junho de 2015

SAUDADE EM AGONIA

A saudade é um pássaro no ninho que aprendeu a voar
voou longe e sozinho mas não aprendeu a voltar.

A saudade é uma antiga canção que nos deixa um sorriso
amarelo e envenena o coração, nos faz prisioneiro do tempo
um tempo de recordação.

A saudade é o caminho da escola  o campinho a bicicleta e a bola,
é a pipa voando alto as crianças cantando atirei um pau no gato
é a menina de trança a mais linda da escola mas ela toda chola nunca
olha pra ninguém, conquistou o coração de todos os meninos mas
que coisa essa menina...conquistou o meu também.

A saudade é o triste olhar do idoso que finge um sorriso jocoso
pra não espantar ninguém, cada traço do seu rosto é uma historia pra
contar as lembranças do passado é o que lhe fazem respirar, tem formas
cores e cheiro nos acompanha o dia inteiro e a noite o travesseiro uma lagrima
a rolar.

A saudade é o passado tão presente e não reconhece seu tempo, e a dor que
vem com o vento e não pede pra ficar, é estar apaixonado mas desistir de
amar, é ver ressuscitar o sentimento que você já esqueceu, mas a pior das
saudades é a terrível saudade daquilo que não viveu.




NOSSO ESPANTO DE CADA DIA

A vida não é um palco e não tem script e muito menos permite ensaios
esteja preparado pro improviso pois as coisas não são como parecem 
ser ou como a gente queria que fosse. 
um professor de literatura causa poluição sonora ao escutar
funk em seu carro extremamente rebaixado ego em agonia,
meu vizinho bate na esposa ao som de imagine de John Lennon e
saiu pra rua e cuspiu, to pensando em me mudar,
um jovem de classe média alta é baleado ao tentar assaltar 
um posto de gasolina apos escutar
um Rep com letras agressivas que enfatizava as diferenças
sociais e raciais do Brasil, tudo desejar e nada entender.

Um religioso ortodoxo escraviza a sua família.
Um mendigo recita  Shakespeare.
Um jovem velho e um velho jovem.
Uma professora muda.
Um aluno surdo e uma sociedade cega.
Uma criança que faz criança, mãe aos 14.
e uma boneca abandonada mais cedo.
As coisas realmente não são como parecem ser.

Cuidado ao abrir as cortinas de mais um dia você 
não sabe o que pode encontrar, aqui nada faz sentido
e tudo parece estar de cabeça pra baixo, o céu esta
abaixo do nível do mar e chove para cima,
as nuvens racham sob nossos pés, e tem cheiro de 
sangue nas flores, cuidado você pode morrer asfixiado
ou queimado tentando achar satisfação em uma 
danceteria qualquer, ou ser assassinado por divergências
religiosas, morte em nome de deus a cada dia é um espanto
hoje estou vivo... amanhã talvez..

quinta-feira, 28 de maio de 2015

ALMA NA ESCURIDÃO

E em ti permaneço como água em regresso navegando
no insucesso desses córregos espirituais .
e foi sempre assim nessa saudade imortal na
dor caminhei sozinho e a rotina foi maldita amiga
que engolia o caminho e tudo era tão normal.

A renuncia foi meu maior pecado arrancou-me
do seu lado deixando o sangue no chão, sofri por
medo de te perder e então te perdendo sinto minha alma
morrendo pedida na escuridão.

Me sinto o meu próprio traidor e esse é meu
desgosto sem moedas de prata e nem beijo
no rosto neguei-me a mim mesmo me crucifiquei
a esmo sem chance de salvação.

domingo, 3 de maio de 2015

Hoje eu odeio

Hoje eu odeio, odeio aquela taboa velha daquela antiga parede, com tantas historias e lembranças entranhadas em suas rachaduras,
eu odeio esse vazio que vem com o outono e o passado que esta presente vem de carona com o vento, eu odeio esse frio que vem sempre acompanhado e carrega ao seu lado
tudo que esqueci ou pensei ter esquecido.

Eu odeio esse pão dormido aquecido no forno, eu odeio ter sono e deitar depois do almoço, 
eu odeio o outono é um desgosto é meu inferno odeio a eminencia do inverno as folhas secas no chão,
 eu odeio esse gelo no coração e a estação da recordação.

Hoje eu odeio, odeio o meu eu covarde escondido no cobertor com medo de sentir dor, odeio o filme na tv o futebol de domingo  odeio a pipoca e os idiotas sorrindo, odeio sentir frio com a alma em chamas odeio quando reclamam do meu silencio e roubam 
meu momento de ociosidade, odeio sentir saudade daquilo que não
vivi, odeio reviver sonhos que eu mesmo destruí, odeio a nostalgia de poemas que ainda não escrevi, e buscar sentimentos que eu nunca vou sentir.

Hoje eu odeio, odeio você no outono e o seu olhar insano e hoje eu te odeio tanto por tanto que eu te amo. 

domingo, 12 de abril de 2015

QUEM SOU EU



Quem sou eu sentado na terra coberto de cinzas,
de quem é os cacos que raspam minhas chagas?
Quem sou eu na beira da estrada pedindo esmola lambendo a
 calçada, quem sou eu?

Quem sou eu na casa da ansiedade, na rua do pecado
na praça da saudade, quem sou eu na purificação do templo
quem sou eu na remição do espirito quem sou eu que perece no tempo
apenas um pó que é levado no vento, quem sou eu?

Quem sou eu que se banha em sangue na esperança da juventude eterna
 quem sou eu que saí da caverna e caminhei pela lua, quem sou eu que
que cultuo o corpo tendo a alma escura, quem sou eu?

Quem sou eu que com um beijo no rosto me fiz maldição, num demostrar de
carinho escondi a traição, quem sou eu, sou o próprio espinho, sou os cravos na
mão sou a forca e o exílio, quem sou eu?

Quem sou eu que converso com um corvo em plena madrugada,
que faço um lápis minha noite e os sonhos palavras, quem sou eu
que tenho medo do medo e deixo que roubem a chave do meu sossego,
quem sou eu, troianos ou gregos e deus esta em tudo mas eu não percebo
quem sou eu?

Quem sou eu que busco o amor que cheiro uma flor mas faço a guerra,
quem sou eu, uma fera com medo da dor, quem sou eu que estou do
seu lado, um santo, um profano um sábio ou insano, quem sou eu  que
um dia fui barro e virei ser humano.



Amante da Lua

Não é a mão que me estendes que me conduz no escuro
 pois sou chumbo e gelo, sou o medo do vento, sou asa quebrada
sou o grito e o sussurro sou o  tudo e o nada.

Sou o tapete batido que  deixou de  voar sou um anjo caído 
que já não sabe chorar, sou prisioneiro do eu, eu sou a fé do
ateu que já não sabe orar.

Sou a ilusão do religioso sou lento sou preguiçoso e não 
consigo lutar, sou a vitima das circunstancias, um assassino 
da esperança sem ter o que lamentar.

Sou vagabundo de rua sou um amante da lua, e com 
ela irei me casar.

domingo, 4 de janeiro de 2015

AH, QUEM ME DERA

 AH, QUEM ME DERA                   

AH, quem me dera que a saudade fosse apenas saudade
aquela saudade digna dos poetas, ah quem me dera que 
essa mesma saudade fosse maior que a vaidade, a vaidade
do coitadinho de mim, nada mais que auto piedade e que minha dor
não fosse egoísta mas só saudade, ah quem me dera.

AH, quem me dera que a saudade fosse minha apenas minha, e eu 
a escondesse em um sorriso no olhar ah, quem me dera que eu não
saísse por aí exalando o o cheiro de tristeza no ar, assoviando aos ventos um canto de melancolia, gritando de cima dos telhados, isso não traz poesia, mas que o silencio gritasse mais alto que eu, ah, quem me dera.

ah, quem me dera que a saudade fosse como a pipa do menino voa alta no céu, mas só o observar é que traz o encanto, ah quem me dera desbanalizar  a saudade e esconde-la assim lapidada, pura e cristalina, ah, quem me dera tirar todo esse sentimento dengoso e amar a saudade de um jeito gostoso, meio amargo meio doce, ah, quem me dera todo o dia de manhã em nova maré  
tomar saudade com gostinho de café...
ah, quem me dera.