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quinta-feira, 28 de maio de 2015

ALMA NA ESCURIDÃO

E em ti permaneço como água em regresso navegando
no insucesso desses córregos espirituais .
e foi sempre assim nessa saudade imortal na
dor caminhei sozinho e a rotina foi maldita amiga
que engolia o caminho e tudo era tão normal.

A renuncia foi meu maior pecado arrancou-me
do seu lado deixando o sangue no chão, sofri por
medo de te perder e então te perdendo sinto minha alma
morrendo pedida na escuridão.

Me sinto o meu próprio traidor e esse é meu
desgosto sem moedas de prata e nem beijo
no rosto neguei-me a mim mesmo me crucifiquei
a esmo sem chance de salvação.

domingo, 3 de maio de 2015

Hoje eu odeio

Hoje eu odeio, odeio aquela taboa velha daquela antiga parede, com tantas historias e lembranças entranhadas em suas rachaduras,
eu odeio esse vazio que vem com o outono e o passado que esta presente vem de carona com o vento, eu odeio esse frio que vem sempre acompanhado e carrega ao seu lado
tudo que esqueci ou pensei ter esquecido.

Eu odeio esse pão dormido aquecido no forno, eu odeio ter sono e deitar depois do almoço, 
eu odeio o outono é um desgosto é meu inferno odeio a eminencia do inverno as folhas secas no chão,
 eu odeio esse gelo no coração e a estação da recordação.

Hoje eu odeio, odeio o meu eu covarde escondido no cobertor com medo de sentir dor, odeio o filme na tv o futebol de domingo  odeio a pipoca e os idiotas sorrindo, odeio sentir frio com a alma em chamas odeio quando reclamam do meu silencio e roubam 
meu momento de ociosidade, odeio sentir saudade daquilo que não
vivi, odeio reviver sonhos que eu mesmo destruí, odeio a nostalgia de poemas que ainda não escrevi, e buscar sentimentos que eu nunca vou sentir.

Hoje eu odeio, odeio você no outono e o seu olhar insano e hoje eu te odeio tanto por tanto que eu te amo. 

domingo, 12 de abril de 2015

QUEM SOU EU



Quem sou eu sentado na terra coberto de cinzas,
de quem é os cacos que raspam minhas chagas?
Quem sou eu na beira da estrada pedindo esmola lambendo a
 calçada, quem sou eu?

Quem sou eu na casa da ansiedade, na rua do pecado
na praça da saudade, quem sou eu na purificação do templo
quem sou eu na remição do espirito quem sou eu que perece no tempo
apenas um pó que é levado no vento, quem sou eu?

Quem sou eu que se banha em sangue na esperança da juventude eterna
 quem sou eu que saí da caverna e caminhei pela lua, quem sou eu que
que cultuo o corpo tendo a alma escura, quem sou eu?

Quem sou eu que com um beijo no rosto me fiz maldição, num demostrar de
carinho escondi a traição, quem sou eu, sou o próprio espinho, sou os cravos na
mão sou a forca e o exílio, quem sou eu?

Quem sou eu que converso com um corvo em plena madrugada,
que faço um lápis minha noite e os sonhos palavras, quem sou eu
que tenho medo do medo e deixo que roubem a chave do meu sossego,
quem sou eu, troianos ou gregos e deus esta em tudo mas eu não percebo
quem sou eu?

Quem sou eu que busco o amor que cheiro uma flor mas faço a guerra,
quem sou eu, uma fera com medo da dor, quem sou eu que estou do
seu lado, um santo, um profano um sábio ou insano, quem sou eu  que
um dia fui barro e virei ser humano.



Amante da Lua

Não é a mão que me estendes que me conduz no escuro
 pois sou chumbo e gelo, sou o medo do vento, sou asa quebrada
sou o grito e o sussurro sou o  tudo e o nada.

Sou o tapete batido que  deixou de  voar sou um anjo caído 
que já não sabe chorar, sou prisioneiro do eu, eu sou a fé do
ateu que já não sabe orar.

Sou a ilusão do religioso sou lento sou preguiçoso e não 
consigo lutar, sou a vitima das circunstancias, um assassino 
da esperança sem ter o que lamentar.

Sou vagabundo de rua sou um amante da lua, e com 
ela irei me casar.

domingo, 4 de janeiro de 2015

AH, QUEM ME DERA

 AH, QUEM ME DERA                   

AH, quem me dera que a saudade fosse apenas saudade
aquela saudade digna dos poetas, ah quem me dera que 
essa mesma saudade fosse maior que a vaidade, a vaidade
do coitadinho de mim, nada mais que auto piedade e que minha dor
não fosse egoísta mas só saudade, ah quem me dera.

AH, quem me dera que a saudade fosse minha apenas minha, e eu 
a escondesse em um sorriso no olhar ah, quem me dera que eu não
saísse por aí exalando o o cheiro de tristeza no ar, assoviando aos ventos um canto de melancolia, gritando de cima dos telhados, isso não traz poesia, mas que o silencio gritasse mais alto que eu, ah, quem me dera.

ah, quem me dera que a saudade fosse como a pipa do menino voa alta no céu, mas só o observar é que traz o encanto, ah quem me dera desbanalizar  a saudade e esconde-la assim lapidada, pura e cristalina, ah, quem me dera tirar todo esse sentimento dengoso e amar a saudade de um jeito gostoso, meio amargo meio doce, ah, quem me dera todo o dia de manhã em nova maré  
tomar saudade com gostinho de café...
ah, quem me dera.






domingo, 7 de dezembro de 2014

A MALDIÇÃO DOS POETAS

SOU A LAMA MARCADA POR SEUS PÉS DE PASSAGEM 
SOU LEMBRANÇAS ESQUECIDAS
SOU O MEDO E A CORAGEM 
SOU O FRUTO DA SAUDADE QUE CRESCE
SOU AQUELE QUE ESTEVE MAIS JAMAIS PERMANECE
SOU O  QUE SONHA EM FICAR
SOU UMA NAU A DERIVA SOU A DOR EVASIVA
SOU A PRÓPRIA FERIDA QUE NÃO SE PODE CURAR

SOU O TOLO NA COLINA  
SOU A ÁGUA FRIA E SALINA E NÃO TENS COMO PROVAR
SOU A SUA NEGAÇÃO NA RETINA A PERFEIÇÃO NO FUNDO DO SEU OLHAR
SOU A LAGRIMA QUE SECOU 
SOU O VENTO QUE PASSOU E UM CANTO ASSOVIOU FEZ A ALMA ACALENTAR 
SOU APENAS ILUSÃO 
SOU UM SONHO DE VERÃO QUE NUNCA MAIS VAI SONHAR.

SOU A RENUNCIA DO AMOR 
SOU O ESPINHO DE UMA FLOR QUE NO FOGO FOI QUEIMADO 
SOU O SEU BEIJO FRATERNO  
SOU O FRIO DO INVERNO 
SOU PRISIONEIRO DO INFERNO  MAS SEMPRE ESCAPO DE LÁ 
SOU UM AMANTE DA LUA  A MAIS CRUA SOLIDÃO EM MEIO A MULTIDÃO 
SOU A PRÓPRIA  PROFECIA 
SOU A BOCA DO  PROFETA 
SOU ALMA SOZINHA QUIETA,  ACEITO MINHA MALDIÇÃO... 
A MALDIÇÃO DO POETAS.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

ENTRE SONHOS E VIDAS

Alvorecer da melancolia ausência de euforia , mergulho na escuridão e a noite é menor cada dia, me inspiro na solidão escondo-me da multidão de meus dias, no vazio da minha alma eu preparo meu leito me deito  e me deleito na monotonia do ócio.
Percebo o valor do cinza na rosa que o sol queimou, a morte traz  fragmentos da vida que se levou, quero deixar a alegria de sonhos e fantasias, navegar em águas turvas devaneios e nostalgias,  me recolher entre minhas asas que aquece e acalma, anseio pelo sorriso no recreio de minha alma.
Fujo do realismo dessa vida de vaidades do que é certo ou errado de me mentiras e verdades, todos somos imperfeitos e não enxergo defeitos no amor e na amizade, quero cortejar a natureza exaltar sua beleza no verde dessa saudade, saudade do que não vivi, de sonhos que destruí de tudo que desisti  por mera infantilidade.
E nessa estrada incerta, não sei decifrar o amor um sentimento  tão nobre não deve virar banal, que não se torne egoísta mas sim incondicional.