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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Eu não vi sua alma entrar.

Já me sentia dono, dono de mim e do  meu travesseiro
já nem me cortava o dia inteiro sangrava só um pouquinho
um pouco antes das seis fazia uma prece trinta noites ao mês,
 e não mais morria nas noites de lua, a dor crua virava poesia e eu
a cozinhava em banho maria e servia-me no jantar me entorpecia 
com um vinho barato e rasgava mais uma vez seu retrato que você
fez questão de deixar.

Já me sentia dono, dono do meu nariz eu era só um pouquinho infeliz
até você decidir voltar.
E voltou de pês descalços e com os olhos tão letais retornou de 
antigos montes que os ventos não uivam mais, retalhou minha pele
cinza profanou minha alma límpida nessas noites imorais.

Já me sentia dono, dono de minha doença abdiquei de todas as
crenças pra poder viver em paz, quem mandou você voltar com
todo o seu veneno trouxe coisas de um mundo pequeno mais deixou
outras pra traz, quem mandou você voltar? 
Entrou com seu cheiro malicia e beleza, mas lhe digo com tristeza...
Eu não vi sua alma entrar.